No ano de 2014, o Grupo Teatral Maschara comemora seus 22 anos de história.

E o Manka veio relembrar boa parte dessa caminhada.

Em 2012, na comemoração dos 20 anos, Dulce Jorge, Diretora e atriz, além de Fundadora do Grupo, concedeu-nos uma entrevista exclusiva sobre a trajetória do Grupo, o começo, as dificuldades, os festivais e também sobre seu companheiro nesta jornada, Cléber Lorenzoni.

Quando se fala em Teatro no Rio Grande do Sul, o Grupo Maschara é citado sempre como referência, não é para menos, fundado em Janeiro de 1992, em 2012 o Grupo completou 20 anos. Durante este tempo ganhou reconhecimento dentro do meio Teatral através dos Festivais que participou, onde conquistou a maturidade que apresenta hoje nos palcos do Estado.

Com mais de 100 premiações em variados Festivais Teatrais com diversos espetáculos montados e cerca de 85 atores formados pelas oficinas oferecidas, o Maschara tem no Município um importante papel social, como Cléber Lorenzoni já disse em inúmeras ocasiões, “o teatro tem o poder de tornar as pessoas sociáveis”, pois o  teatro ajuda não apenas na desinibição , mas na compreensão de um todo, desde respeitar e entender diferenças, mas será que Cruz Alta percebe este aspecto social que o Teatro representa?

Quem fundou o Grupo Maschara?

Dulce: Eu e a Geane Ries que venho para Cruz Alta e ministrou uma oficina de teatro, permanecendo até 1994. Nós damos o ponta pé inicial e quando ela foi embora eu continuei.

Vocês tinham alguma formação anterior?

Dulce: Eu não más a Geane era formada nas Artes Cênicas em Santa Maria, quando ela mudou-se para cá ministrou esta oficina básica, passando para a gente toda a base do teatro, depois disso montamos o primeiro espetáculo que foi “Um dia a casa cai”. Com esse espetáculo pudemos por em prática tudo que tínhamos exercitado na oficina.

Quantas pessoas fizeram a oficina e quantas participaram da primeira peça?

Dulce: Não lembro quantos fizeram a oficina, mas foram sete pessoas que permaneceram e montaram o espetáculo. Depois alguns desistiram e outros continuaram algum tempo, mas daquela primeira turma só eu que continuo.

Qual foi a evolução do grupo dentro destes vinte anos?

Dulce: A evolução? Foram diversas fases que tivemos, a primeira fase foi aquela em que trabalhávamos mais pela nossa intuição e sensibilidade mesmo, em seguida tivemos a fase dos Festivais de Teatro, onde começamos a ter um aperfeiçoamento mais aprofundado, a partir da analise detalhada dos jurados, após venho a fase dos clássicos e depois a das adaptações.

Foi a partir de que ano que vocês começaram a frequentar estes Festivais?

Dulce: O Primeiro festival que participamos foi em 1993, e fomos com o espetáculo “Um dia a casa cai”.

E vocês chegaram a ganhar alguma premiação nesse instante?

Dulce: Este festival foi em Júlio de Castilhos e eu ganhei o prêmio destaque de melhor atriz.

Você comentou que a fase dos festivais oportunizou o começo de um aperfeiçoamento mais aprofundado. Você considera que a profissionalização do Grupo começou nos festivais?

Dulce: Sim a gente sempre diz que equivale a ter feito uma universidade. Por que nós ficamos muito tempo frequentando festivais, começamos em 93 e só nos afastamos em 2005.

Qual foi o motivo deste afastamento?

Dulce: Começamos com o projeto do Érico Verissimo, e viajávamos muito não tínhamos tempo para participar mais dos festivais. Foi ai que decidimos dar uma pausa com os festivais, que eram cerca de cinco por ano.02

Então 2005 foi um ano divisor de águas para a profissionalização do Grupo?

Dulce: Isso, ali foi bem a transição por que até ali a gente estava montando clássicos, experimentando esta linguagem para conhecer vários universos e depois de 2005 começamos a transformar obras literárias em dramaturgia, que não é nada fácil, em 2006 fizemos uma adaptação que foi mais complicada a do Mario Quintana, lemos toda a obra dele e o fato de ser poesia, mesmo que algumas sejam poesia em prosa, como ele mesmo chamava prosa poética, mesmo assim foi difícil conseguir criar um desfecho, um enredo com começo meio e fim, mas conseguimos e tenho muito orgulho deste espetáculo, muito mesmo.

Quantos espetáculos o Grupo Maschara tem no currículo?

Dulce: Meu Deus foram umas quinze eu acho, olha esse dado quem sabe com mais precisão é o Cléber.

Já que citou o Cléber, você o considera seu braço direito?

Dulce: Na verdade os papéis se inverteram, hoje eu sou o braço direito dele. O Cléber é responsável por toda a parte criativa do Grupo, ele é de uma genialidade, ele consegue criar do nada.

Para você que está no Grupo desde o começo qual foi o espetáculo que mais te encheu os olhos e o coração de alegria de ter montado?

Dulce: Na fase dos clássicos foi “Antígona” uma tragédia grega e na fase das adaptações “O Esconderijos do Tempo”, ela é muito intimista, mexe muito com o sentimento com a sensibilidade, eu considero o melhor espetáculo do grupo até hoje.

Quem é o Grupo Maschara quanto juridicamente?

Dulce: Ele consta como uma associação, temos CNPJ e alvará. Eu assino pelo Grupo como Presidente.

 Quanto tempo vocês tem de associação?

Dulce: Desde o começo.

01Vamos falar um pouco da questão financeira agora. Sabendo que o Grupo começou sem ter subsídios, como conseguiram manter esse tempo de Festivais? De onde vinham os auxílios para as viagens?

Dulce: No começo meu pai e minha mãe me ajudavam, com o famoso paitrocinio (risos), eles bancavam essas viagens, isso foi por vários anos, depois começamos com as rifas para conseguirmos abater um pouco os custos, com o Projeto do Centenário do Érico começamos com as turnês que nos dava um retorno, com caches que administrávamos para os gastos de uma próxima viagem.  Foi ai que começamos mesmo a viajar em turnê correndo o Estado.

O Grupo tem apoios culturais relevantes ou ganham hoje pela quantidade?

Dulce: Temos alguns patrocinadores fiéis, Mas grande mesmo só do Bink Banco, que fica no Ceará, ainda por que é do meu tio, ele colabora todo o ano com uma quantia significativa o restante é da quantidade. São pequenos valores e muitos patrocinadores, só que ainda nos faltam muitos.

Do que o Grupo está precisando?

Precisamos de infraestrutura, ainda mais que a casa da cultura não foi reformada ainda, então acabamos tendo que improvisar muito.  Não sei como nenhum dos atores se machucou, pois acabamos tendo que subir nos pendurar por não termos todo o equipamento e estrutura necessária, isso acaba por ser bem desgastante.

Entrevista feita por  Maurício Quevedo e Su Estevam, em fevereiro de 2012.