Você deve conhecer pessoas “doidas” que falam sem parar, ou resmungam consigo mesmas. Bem, elas não diferem nada de você ou pessoas “normais”, exceto que vocês não falam em voz alta. Essa voz interna que comenta, especula, julga, compara, desculpa, gosta, desgosta, etc. A voz não precisa ser relevante para a situação do momento, pois ela pode estar revivendo o passado recente ou remoto. Neste último caso, ela imagina sempre as coisas indo mal e com resultados desfavoráveis. É o que se chama de preocupação. Às vezes, essa trilha sonora é acompanhada de imagens ou “filmes mentais”.

Mesmo que tenha alguma relação com o momento, a voz será interpretada em termos do passado. Isso acontece porque a voz pertence à mente condicionada, que é o resultado de toda a nossa história passada, bem como dos valores culturais coletivos que herdamos. Assim, vemos e julgamos o presente com os olhos do passado e construímos uma imagem totalmente distorcida. Não é raro que a voz se torne o pior inimigo de nós mesmos. Muitas pessoas vivem com um torturador em suas cabeças, que as ataca e as pune sem parar, drenando sua energia vital. Essa é a causa de muita angústia e infelicidade, assim como de doenças.

A boa notícia é que esta voz não é você; é apenas a sua mente. Se falarmos em consciência, níveis de consciência, podemos dizer assim: o reino mineral e o vegetal são inconscientes, ou seja tem sua consciência no estado físico denso e físico energético. Por outro lado, o reino animal tem sua consciência mais além, no emocional, assim está subconsciente. Já, o homem evoluiu um pouco mais e tem sua consciência no estado mental, ou seja, consciente. Ao praticar Yôga o homem evolui o máximo de sua humanidade, atingindo o nível superconsciente (intuicional ou meditativo) e elevando-o ainda ao hiperconsciente, quando atingir a meta do Yôga, o samádhi. Dito isso, perceba que você não é a sua mente.

meditarnapraia

Nós não somos nossas mentes. Portanto não busque o seu purusha (seu eu interior) na sua mente. Liberte-se da sua mente! Comece estando presente no momento do aqui e do agora, por inteiro, praticando ìshwara pranidhana a auto entrega, sendo e vivendo o agora.

O maior obstáculo é nos identificarmos com a mente, o que faz com que estejamos sempre pensando em alguma coisa. Se nos identificarmos com a mente, criamos uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueia todas as relações verdadeiras. Essa tela se situa entre você e o seu purusha (sua essência), entre você e o seu próximo, entre você e a natureza… É essa tela de pensamentos que cria uma ilusão de separação entre você e qualquer outra coisa no universo.

Lindo de se pensar assim não é? Acreditar pode até trazer conforto, mas a liberdade que tanto buscamos só vem com a vivência pessoal. O Yôga é uma filosofia prática. De nada adianta saber, mas ser.

Se for usada corretamente, a mente é um instrumento magnífico. Entretanto, quando a usamos de forma errada, ela se torna destrutiva. Para ser mais específica, não é você que usa sua mente de forma errada. Em geral, você simplesmente não usa sua mente. É ela que usa você. Se você não concorda. Responda-me: Você consegue se livrar da sua mente? Encontrou o botão que a desliga?

A idéia é parar de pensar completamente. Não consegue? Não por mais de um ou dois segundos?

No momento em que começamos a parar de pensar ativamos um nível mais alto de consciência. Começamos a perceber que existe uma vasta área de inteligência além do pensamento, e que este é apenas um aspecto diminuto da inteligência.

Percebemos também que todas as coisas realmente importantes como a beleza, o amor, a criatividade, a alegria e a paz, surgem de um ponto além da mente. É quando começamos a acordar. 

Colunista: Shane Nicolodi – Instrutora de SwáSthya Yôga
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